Meu abrigo

Uma vida colorida de desilusões
Uma criatura com a mão vazia
Uma mente rica em frustrações
E  o estômago coberto de azia

Nada tenho p'ra além do meu eu
Que por mim foi esquecido e por ti remido
Perdoa-me se não és exaltado até ao céu
A culpa não é minha, é das cicatrizes
Que em mim  formaram raízes

Nada prometo, apenas um mundo de desespero
Eu fingirei ser um ser normal
 Nas tuas costas carregarás o tempero
E tudo transformar-se-á em real

Só estou a implorar um amparo
Tapa-me os olhos e finge comigo
Que a minha alma sofreu um reparo
E serei uma mendiga e os teus braços o meu abrigo.

Vem, e resgata-me desta escuridão
Com um beijo, ilumina este coração
Que de sofrimento se cansou
E por causa da dor desesperou.










Comentários

  1. Sempre acreditei que havia de chegar o dia em que terei o prazer de ler um poema teu com toda a roupagem poética digno desse nome. Esse dia chegou. Muito lindo. Estas a revelar muita maturidade poética . O convite que te fiz ainda está de pé. Vamos fazer um "mano a mano" e editar um livro. Beijihos e muitos parabens. Adorei

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