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Mostrando postagens de agosto, 2017

Uma declaração de amor

Sentada na varanda, os meus pensamentos são acompanhados pelo café de sempre, e dou por mim a viajar entre músicas, engraçado que muitas delas eram ouvidas contigo, cantarolávamos, espalhando olhares profundos, olhares esses que expressavam sentimentos silenciosamente. Passaram anos, mas tem sempre aqueles dias teimosos em que a nostalgia abafa o meu corpo enfraquecido, trazendo recordações que apertam o meu peito e lágrimas deslizam pelo meu rosto. Gostaria de ter o poder de recuar ao tempo em que o amor era vivido singelamente, em que a tua pele negra e veludada era o meu encosto predileto, em que palavras doces eram proferidas incansavelmente e promessas de um amor eterno eram feitas. Se disser que não vivo sem ti, será uma mentira agradável aos teus ouvidos, mas a realidade é que a vida sem ti perdeu o seu brilho. Quero que me abraces e tragas contigo todos os minutos já disfrutados ao teu lado, quero que sacies a sede dos teus lábios que tanto tenho, quero marcas do teu perfum...

Vim de longe, vim da Guiné

Vim de longe, vim do verde do mato, do vermelho da terra, do azul do céu e mar; Vim de um povo sofredor, mas esperançoso, de um povo movido pela simplicidade, humildade e caridade. A minha menina é desesperadamente alegre, mas ao mesmo tempo carente. Com uma ternura míngua, só fomos capazes de relatar a sua dor, mas impotentes o suficiente para afastá-la do abismo, incapacitados para alimentá-la ou limpar as suas lacunas de lágrimas. Viemos do nada, percorremos o caminho incerto do sucesso, chorando o suor, na expectativa de sair do "nada". Mesmo que tenhamos de aceitar mil "não's", de esquecer a voz e o cheiro dos nossos entes, de empinar, para mais tarde erguer, que assim seja, mas que voltemos com tudo! Que voltemos com as mãos cheias e joelhos fincados de perdão. Neisa Medina